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ÁGUA VITAL

por Adriana Fileto - Mestre em administração, consultora para a sustentabilidade.

Dia 22 de março, comemora-se o Dia Mundial da Água.

Data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, requer atenção especial de todos nós que devemos refletir bem sobre o uso que fazemos da água.

A água é um bem renovável, mas finito e escasso.

De toda a água existente no planeta, 97% é salgada, 3% é doce e menos de 1% está disponível para consumo.

Nos próximos 20 anos, a quantidade de água disponível para cada pessoa no mundo será reduzida em um terço.

O mundo tem uma população em torno de 6,5 bilhões de pessoas, das quais 2 bilhões não têm acesso à água potável; no Brasil, são 22 milhões na mesma situação.

Segundo o Instituto Akatu, que trabalha em prol do consumo consciente, no nosso país, 60% das doenças tratadas pelo sistema público de saúde têm origem na má qualidade da água.

A falta ou escassez de água potável provoca sede, doenças, morte de pessoas, plantas e animais, enfim, gera um completo desequilíbrio ambiental.

Para se obter mais água limpa, buscam-se novas fontes de água e gastam-se mais recursos para tratar água imprópria para o uso.

Todo esse processo para aumentar a oferta de água potável acaba encarecendo o tratamento da água e, consequentemente, provocando o aumento de impostos.

Assim, aqueles que desperdiçam água acabam, no final das contas, pagando mais impostos e obrigando outros a pagarem mais para ter acesso à água limpa.

Para se evitar o desperdício desse líquido tão precioso para a vida, é importante que pensemos também no uso que fazemos da chamada água virtual. 

Pouca gente sabe, mas existe também a água virtual.

Á água que gastamos não é só aquela que sai da torneira, pois tudo o que é produzido gastaágua.

Essa água que você não vê, mas que está presente na fabricação de qualquer produto, é chamada de água virtual.

Assim, por exemplo, até para produzir carne se gasta muita água, pois é preciso levar em conta toda a água utilizada no processo de produção, desde o plantio do pasto que alimenta o gado até o combustível utilizado no veículo que transporta a carne aos açougues.

A quantidade de água virtual utilizada varia de produto para produto. Enquanto a produção de um quilo de carne exige pelo menos 13,5 mil litros de água, a de um quilo de soja, 2,3 mil.

Está sendo realizado, em Istambul, na Turquia, o 5º Fórum Mundial das Águas, que insere a questão do produto na agenda internacional, em busca da colaboração global, de soluções como o acesso à água e à falta de saneamento básico.

Segundo a ONU, cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo vivem sem saneamento básico e 1,5 bilhão não têm acesso à água potável.

O Brasil participa do fórum apresentando a Carta de Minas para as Águas, documento elaborado com base nos trabalhos desenvolvidos na Conferência Internacional Diálogos da Terra no Planeta Água, realizado em Belo Horizonte, em novembro de 2008, constituindo-se em um dos mais importantes fóruns de discussão da sustentabilidade do planeta e que pela primeira vez foi realizado na América Latina.

A sustentabilidade é, mais do que nunca, uma questão das mais importantes da agenda global, e o Brasil, sem dúvida alguma, como detentor de 17% das reservas de água doce do mundo, segundo a ONG WWF-Brasil, contribui bastante com as discussões em Istambul.

O desenvolvimento sustentável, embora seja um objetivo difícil de ser alcançado, é possível, mas são imprescindíveis a união, a cooperação e a solidariedade de todos.

A Carta de Minas para as Águas finaliza ressaltando que “o sonho de um desenvolvimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado, se faz realidade se continuarmos unidos pelo diálogo, e fortalecidos pela certeza de que é possível mudar, cada um fazendo a sua parte, e acabando com a cultura de ‘esperar que os outros e o governo façam por nós’".



 

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